Centros de dados ameaçam deixar Rio Tejo a seco
Associações ambientalistas temem por excessivo consumo de eletricidade e de água.
A instalação de dois megacentros de dados no concelho de Abrantes levanta junto de duas organizações ambientais “sérias dúvidas sobre os seus impactos ambientais, nomeadamente no que respeita ao consumo energético; à qualidade e disponibilidade dos recursos hídricos; ao uso e ocupação do solo; à poluição sonora e à criação de ilhas de calor”.
Para a Quercus, “as metas de transição digital e energética não podem atropelar a salvaguarda ambiental e o ordenamento do território”. Nesse sentido, exigem “um Estudo de Impacto Ambiental cumulativo, que avalie de forma integrada os impactos somados de ambos os centros de dados (do grupo Hyperion e da EDC ONE)”.
A mesma exigência é indicada pelo movimento proTEJO, que também defende a aplicação de limites legais ao consumo de água e energia dos centros de dados, alertando para a pressão sobre a bacia hidrográfica. “O Tejo já não tem margem para ser a torre de arrefecimento da inteligência artificial europeia. Quem quiser instalar-se na sua bacia tem de provar, primeiro, que não vai precisar da sua água”, sustenta o movimento.
O proTEJO defende ainda que os promotores revelem a tecnologia de arrefecimento e o consumo de água previsto, que sejam fixados limites máximos vinculativos de eficiência hídrica e energética e publicados os dados de desempenho de cada centro de dados.
Segundo estimativas do movimento, os dois projetos poderão consumir, em plena capacidade, entre 3,6 e 22,2 milhões de litros de água por dia, consoante a tecnologia de arrefecimento adotada, informação que, segundo o pro TEJO, ainda não foi divulgada pelos promotores. Em termos comparativos, 3,6 milhões de litros por dia “corresponde a 1314 hm3 por ano, ou seja, cerca de metade de 2700 hm3 que é o atual caudal mínimo anual afluente de Espanha nos termos da Convenção d...
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