Duarte Fernandes, KWAN: 2050 já começou
Sobra-nos a questão: O que significa ser humano quando as máquinas fazem tudo?
Imagine o cenário: o ano é 2050. Meio século XXI. A humanidade sobrevive uma vez mais a guerras e conflitos, mas estamos de olhos vendados, em aceleração vertiginosa, numa estrada que tem nos próximos metros o seu fim: o fim do significado daquilo que é ser humano. Estou a dramatizar, não é!? Calma… acompanhe-me.
Durante décadas construímos uma economia sustentada pelo consumo, alimentada pela dívida, e impulsionada por empregos cuja última função é oferecer um salário que perpetua mais consumo. É desta maneira que o sistema é alimentado. Onde vê um carro, umas calças, um telemóvel, uma viagem, um bom vinho… o sistema vê consumo! E vê, claro, endividamento, que ao ser pago fecha o ciclo da geração do capital. Uma engrenagem imperfeita, é certo, mas que nos trouxe até aqui, com mais saúde, mais qualidade de vida, menos fome. Basta olharmos para como viviam os nossos avós ou bisavós. A classe média hoje, com todos os seus problemas, vive em melhores condições que viviam reis no início do séc. XX – mas isto só vai continuar a funcionar enquanto houver “estrada” pela frente. E em 2050 a “estrada” está a chegar ao fim.
Passaram-se 25 anos desde 2025. A automação e a Inteligência Artificial aceleraram de forma exponencial. Tão rapidamente que o ser humano, preso ao seu ritmo linear e biológico, ficou irremediavelmente para trás. Médicos, advogados, escritores, analistas, programadores, designers, professores, e até consultores tornaram-se redundantes, substituídos por algoritmos que trabalham incansavelmente, sem erro e sem fadiga.
O emprego está prestes a desaparecer. E esse é o tal fim da estrada. Porquê? Porque sem emprego, não há rendimento. Sem rendimento, não há consumo. Sem consumo não há endividamento, e o sistema capitalista – sim, o bom, aquele que tirou milhões da pobreza – colapsa.
E então surge a p...
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