Quase 79 mil despedimentos em 2026 e pode ser só o começo. Setor tecnológico entra numa espiral de cortes
Os primeiros meses do ano confirmam o agravamento dos cortes no setor tecnológico, com impacto em várias geografias e grandes empresas.
A indústria tecnológica global atravessa um período de forte contração do emprego. Desde o início de 2026, foram registados 78,557 despedimentos em todo o mundo.
O ano arrancou com mais de 27 mil despedimentos, numa fase inicial marcada por decisões rápidas de reestruturação por parte de grandes empresas. Seguiu-se um abrandamento temporário, mas março viria a revelar-se o mês mais turbulento até agora, concentrando mais de 33 mil cortes de postos de trabalho, o valor mensal mais elevado de 2026 e o pior desde julho de 2025.
Esta vaga de despedimentos prolonga um ciclo iniciado após a pandemia, durante o qual mais de um milhão de trabalhadores do setor tecnológico perderam o emprego a nível global. O que começou como um recuo após a expansão acelerada dos anos de pandemia transformou-se numa mudança estrutural na forma como as empresas operam.
A automação, a integração de inteligência artificial (IA) e as medidas de controlo de custos estão no centro desta transformação, levando à reconfiguração – ou eliminação – de departamentos inteiros em favor de estruturas mais enxutas e processos apoiados por IA. Segundo uma análise da RationalFX, com base em dados de plataformas como TrueUp, TechCrunch e várias bases WARN, os Estados Unidos concentram 59.510 dos 78.557 despedimentos registados em 2026, o equivalente a cerca de 76.7% do total global. Os cortes distribuem-se por 54 empresas, com destaque para a Oracle, a Amazon, a Meta e a Block.
Na Austrália, registaram-se cerca de 4.450 despedimentos desde o início do ano, concentrados sobretudo em grandes empresas. A WiseTech Global lidera com dois mil cortes, seguida da Atla...
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