Sérgio Viana, Xpand IT: Quando o código se escreve sozinho, o verdadeiro valor está em quem sabe o que construir
O valor já não está centrado na escrita de código, mas na capacidade de identificar problemas relevantes com impacto no negócio, definir soluções alinhadas com o contexto e os objetivos estratégicos, defende Sérgio Viana. Mas esta não é uma história sobre substituição, mas sim de amplificação.
Durante décadas, o desenvolvimento de software foi definido por uma premissa clara: construir exigia conhecimento técnico profundo. Saber programar, dominar arquiteturas e compreender sistemas complexos eram competências raras e por isso altamente valorizadas. Hoje, essa realidade está a mudar a uma velocidade difícil de ignorar.
Com a evolução recente da Inteligência Artificial, estamos a entrar numa nova fase: o software começa, literalmente, a escrever-se a si próprio. Ferramentas baseadas em modelos avançados já são capazes de gerar código funcional, automatizar processos complexos e reduzir drasticamente o tempo necessário para desenvolver soluções. O que antes levava semanas pode agora ser feito em horas. O que exigia equipas inteiras pode, em muitos casos, ser realizado por uma única pessoa.
Mas esta transformação não é apenas tecnológica. É estrutural.
A democratização da construção e o risco da superficialidade
A capacidade de construir soluções digitais deixou de estar limitada a perfis altamente técnicos. Os profissionais de diferentes áreas conseguem criar aplicações, automatizar fluxos de trabalho ou desenvolver protótipos com recurso a ferramentas de IA. A barreira de entrada está a desaparecer. No entanto, democratizar o acesso não significa democratizar a qualidade – nem o impacto.
A diferença entre soluções que funcionam e soluções que criam valor real está cada vez menos no código em si e cada vez mais na forma como os problemas são definidos e abordados. Saber formular as perguntas certas, interpretar criticamente os outputs da IA e antecipar cons...
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